Em julho de 2021, há cinco anos, nascia o Comitê Gaúcho de Assistentes Sociais na Luta Antirracista como um espaço de articulação, reflexão, formação e mobilização política vinculado ao CRESSRS. Comprometido com o enfrentamento do racismo estrutural e institucional presente na sociedade brasileira, o Comitê reúne assistentes sociais para pensar na atuação em defesa dos direitos humanos e livre de discriminação e opressão, segundo os princípios éticos-políticos do Serviço Social.
Segundo a assistente social e conselheira Luciane da Silva Conrad, atual coordenadora do Comitê de Assistentes Sociais na Luta Antirracista do CRESSRS, a luta é permanente, diária, sofrida e angustiante. “O Comitê traz força, energia e conforto através do encontro para discutir uma pauta perversa: as diferentes faces do racismo, do qual nossa sociedade está impregnada”, afirma ela.
Com o objetivo de fortalecer o debate sobre as relações étnico-raciais no âmbito da profissão, o Comitê promove ações de formação, sensibilização e produção de conhecimento que contribuem para qualificar a intervenção profissional de assistentes sociais do Brasil, e em especial no nosso Estado do Rio Grande do Sul que tem muito forte o apagamento da história da população negra e indígena e as dimensões de violência e violações enfrentadas por essas populações. Busca, ainda, estimular a incorporação da perspectiva antirracista nas práticas profissionais, nas políticas públicas e nos espaços de participação social, reconhecendo o racismo como uma das expressões centrais da questão social.
Apesar de neste 25 de julho estarmos comemorando o Dia Internacional da Mulher Negra, Afro-Latino-Americana e Caribenha, a luta antirracista é todos os dias! Luciane lembra das complexas reflexões e estudos sobre a Política de Cotas na UFRGS, os desafios na Assistência Estudantil da Universidade, da participação na Comissão de Ações Afirmativas e também do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do IFSul, onde acessou outras produções sobre a luta antirracista. Atualmente, ela faz parte do Controle Social integrando o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Venâncio Aires (COMPIR) e integra a gestão do CRESSRS.
O Dia 25 de julho foi instituído, no Brasil, por meio da Lei 12.987/2014, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder do Quilombo Quariterê, localizado entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá, no Mato Grosso, que resistiu à escravização durante duas décadas do século XVIII, lutando pela comunidade negra e indígena que vivia sob sua liderança.
Estas duas datas comemorativas importantes estimularam a criação do movimento “Julho das Pretas”, com o objetivo de fortalecer a ação política das mulheres pretas nas esferas da sociedade brasileira, através de atividades autogestionadas para discutir o racismo, reparação, mudanças estruturais e enfrentamento a desigualdade racial. Iniciado em 2013, o Julho das Pretas completa 14 anos, neste 2026.
Mesmo sendo vanguarda nos movimentos sociais, as mulheres negras encontram-se na base da pirâmide social. As mulheres negras assistentes sociais vivem o racismo na pele, e no dia a dia em seus locais de atuação de forma sutil e escancarada. Que a experiência dos Comitês de Luta Antirracista dos Cress deem visibilidade às suas trajetórias e abram caminhos para que mais mulheres negras ocupem todos os espaços na nossa sociedade!
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