A Frente Gaúcha em Defesa do SUAS e da Seguridade Social e o Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Sul (CRESSRS) promoveram uma Roda de Conversa híbrida sobre a questão étnico-racial no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), reunindo cerca de 30 participantes, na última quinta-feira (27/11). A atividade destacou a sub-representação de trabalhadoras/es negras/os na política de assistência social, apesar de a maioria do público atendido ser de pessoas negras.
A pesquisadora Doris Soares apresentou dados que apontam que menos de 50% das/os trabalhadoras/es da assistência social no país são pessoas negras — percentual ainda menor no Rio Grande do Sul. Ela também lembrou que mais de 70% das beneficiárias do Bolsa Família são mulheres negras, o que evidencia desigualdades no acesso, na permanência e na saída dos programas sociais. Soares defendeu que municípios e OSCs passem a questionar o perfil étnico-racial de seus quadros para enfrentar o racismo estrutural presente no SUAS.
A vice-presidente do CRESSRS, Ana Lúcia Magalhães, reforçou a importância de a população não negra assumir um papel ativo na luta antirracista. Ela destacou que o correto preenchimento do quesito raça/cor no atendimento é fundamental para a produção de dados e para o reconhecimento das desigualdades que afetam a população negra. Ana Lúcia lembrou que o racismo é uma grave violação de direitos e deve ser enfrentado de forma contínua, e não apenas no mês de novembro.
As participantes Eliziane Ferraz e Maria Lopes elogiaram a iniciativa e defenderam que o debate sobre relações étnico-raciais deve ser permanente. Eliziane chamou atenção para a baixa presença de mulheres negras em espaços de decisão, mesmo onde há maior número de profissionais negras nas equipes. Maria Lopes comemorou o avanço da pauta e destacou a importância da atuação coletiva para a transformação do SUAS.
Durante a discussão, também foram abordados temas como racismo religioso, a falta de protocolos para identificar violações raciais, e os impactos do racismo estrutural tanto nas usuárias quanto nos trabalhadores da política. As falas reforçaram a necessidade de ampliar a representatividade, qualificar os atendimentos e fortalecer espaços de formação e reflexão. A mediação foi por conta das assistentes sociais Ângela Aguiar e Leila Thomassim.
Ao final, o CRESSRS destacou o compromisso de manter a pauta em evidência, fortalecer ações coletivas e ampliar o debate antirracista no SUAS. As convidadas deverão retornar em novos encontros e materiais técnicos sobre relações raciais serão compartilhados com as equipes.
Assista a reunião na íntegra pelo Youtube do CRESSRS:
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