A jornada de trabalho como fator ergonômico e seus reflexos na saúde e qualidade de vida do trabalhador Autor: Marcos Santiago
Ano: 2011 Instituição: ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL - ESAB
O objetivo da presente monografia é demonstrar a relação existente entre Ergonomia, Saúde e Jornada de Trabalho, e suas implicações na saúde e qualidade de vida no trabalho (e fora dele), tendo a jornada de trabalho como fator ergonômico preponderante nessa relação. Para isso, fez-se uso de pesquisa bibliográfica exploratória acerca da temática, sempre sobre perspectivas distintas, permitindo uma visão panorâmica crítica e na busca pela totalidade. Ao longo do estudo buscase expor alguns conceitos importantes no âmbito da Ergonomia, Trabalho e Emprego, Saúde do Trabalhador e Qualidade de Vida no Trabalho, além de identificar a evolução histórica da Jornada de Trabalho na sociedade do capital, reflexo do constante embate entre trabalhadores e proprietários dos meios de produção. Dentre os resultados encontrados identificam-se algumas doenças ocupacionais e a relação destas com a jornada de trabalho longa e penosa, com destaque para as LER/DORT e algumas doenças mentais. Percebe-se que é nesse espaço temporal da jornada de trabalho que se organizam os processos produtivos e de labor e as cargas físicas, cognitivas e organizacionais ali existentes, que ao gerarem adoecimento, implicam em custos à produção, ao trabalhador e à sociedade. Vê-se, ainda, que a idéia de penosidade do trabalho deve levar em conta diversos fatores, dentre os quais o ambiente organizacional e a jornada de trabalho ali dimensionada, considerando a atividade realizada e as condições a que o trabalhador está exposto. Percebe-se que programas de qualidade de vida no trabalho, na maioria das vezes, voltam-se ao incremento da produtividade e à responsabilização do indivíduo e que a maior parte das intervenções no âmbito da QVT relega a segundo plano condicionantes macroscópicas, ignorando a jornada de trabalho e fatores externos ao trabalho e ao trabalhador. A abordagem biopsicossocial permitirá, por sua vez, uma maior e mais completa análise e intervenção na saúde do trabalhador, por assumir uma abordagem multidimensional. Esse viés analítico permite concluir que a Ergonomia é um saber constituído e constituinte de saberes diversos, multidisciplinares, em busca de intervenções que produzam segurança, produtividade e salubridade no trabalho. Nessa busca, a ergonomia transpassa espaços da Saúde do Trabalhador e da Qualidade de Vida, estabelecendo com estas relações muito próximas. Por fim, pode se demonstrar que a jornada de trabalho se impõe como fator importante no âmbito da análise e intervenção ergonômica, uma vez que nela estão dissolvidas e materializadas a organização do trabalho, da produção e da saúde e adoecimento laboral, dimensões da ergonomia enquanto busca pela adaptação do trabalho ao homem.
Para ler o trabalho na íntegra, solicite ao autor: santiagoseven@bol.com.br |